
Aos olhos dele
Não acredito em nada. As minhas crenças Voaram como voa a pomba mansa. Pelo azul do ar. E assim fugiram As minhas doces crenças de criança. Fiquei então sem fé; e a toda gente Eu digo sempre, embora magoada. Não acredito em Deus e a Virgem Santa É uma ilusão apenas e mais nada. Mas avisto teus olhos ,meu amor, D'uma luz suavíssima de dor... E grito então ao ver esses dois céus. Eu creio, sim, eu creio na Virgem Santa Que criou esse brilho que m'encanta. Eu creio sim, creio, eu creio em Deus!
Florbela Espanca - A mensageira das Violetas
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